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Moda é um assunto fútil? | História da Moda

fashionalieblog
Jan 2, 2025
3 min read

Updated: Jan 6, 2025

Será mesmo que moda é um assunto fútil? Há uns tempos eu ouvi de uma criadora de conteúdo que ela achava moda fútil e isso me fez pensar. Então pega a sua taça de vinho fashiony porque hoje eu vou te provar que a moda não tem nada de fútil.


Desfile Saint Laurent em Paris
Desfile Saint Laurent em Paris

Moda, vai muito além de montar lookinhos, é basicamente aquele monologo icônico da Miranda Pristely em O Diabo Veste Prada: você pensa que não sofre influência da moda na sua vida, mas está usando uma peça escolhida por pessoas influentes no ramo. E eu vou até além, peças que possuem um valor histórico enorme.


Foto de uma fábrica durante a Primeira Revolução Industrial
Foto de uma fábrica durante a Primeira Revolução Industrial

Um exemplo é o macacão, sua história de origem vem após a Primeira Revolução Industrial. Surgiu no século XVIII, o macacão foi criado para a classe trabalhadora, voltado inicialmente para os homens, devido à necessidade de unir a calça ao avental. Inicialmente confeccionado em linho ou algodão. Durante o período da Primeira Guerra Mundial, devido a convocação em massa dos homens para a guerra, houve a necessidade de as mulheres irem trabalhar nas indústrias. No período pós-guerra, com os preços inflacionando, o macacão se tornou símbolo da classe trabalhadora que protestava, surgindo assim o “clube dos macacões”.


Foto de mulheres trabalhando no campo durante a Primeira Guerra Mundial
Foto de mulheres trabalhando no campo durante a Primeira Guerra Mundial

A saia é uma das peças mais antigas que temos registro, o registro mais antigo de uso da saia é por volta de 3000 a.c. no Egito Antigo e Império Romano. Somente no século XIV começou a ser considerada uma peça de uso mais feminino nas culturas ocidentais. Foi nesse período também que a moda passou a ser um movimento estético na cultura ocidental, quando a forma de se vestir passou a ser usada mais claramente como forma de distinção social e de gênero, até então era somente necessidade.

Nos anos 20, Coco Chanel apresentou modelos com comprimento até o meio das canelas, mais funcionais. Com a vinda da Segunda Guerra Mundial, a escassez de tecidos fez a peça ficar mais simples e reta. Após a guerra, Christian Dior apresenta Corelle, responsável por trazer a opulência e o volume de volta para a moda com saias do tipo evasê e godê. Em 1960 a estilista Mary Quant apresentou pela primeira vez a minissaia, quebrando barreiras na época e popularizando o modelo.


Mary Quant com sua criação, a minissaia
Mary Quant com sua criação, a minissaia

Até mesmo a sua calça jeans tem uma grande história por trás. O tecido em si nasceu na França no início do séc. 19, sarja de algodão usado para fabricar calças, manufaturado na cidade francesa de Nîmes. As calças jeans como conhecemos hoje (feitas de jeans tingido de índigo, com bolsos e rebites) foram patenteados nos Estados Unidos em 1873 por Jacob Davis e Levi Strauss. Durante a Primeira Guerra Mundial, os jeans Lee Union-Alls eram o padrão para todos os trabalhadores de guerra. Hollywood ajudou a romantizar o jeans nas décadas de 1920 e 1930, com cowboys em tela vestindo calças jeans.

Na década de 1930, a Vogue deu seu selo de aprovação, chamando o jeans de “western chic”. Os hippies e os manifestantes anti-guerra usavam jeans nos anos 60 como uma forma de mostrar apoio à classe trabalhadora, feministas e organizadoras da liberdade feminina escolheram o jeans para demonstrar igualdade de gênero. Sendo assim, na década de 60, o jeans passou a simbolizar a contracultura. Algumas escolas de ensino médio chegaram até a proibir a vestimenta.


A moda é uma forma de expressão, sendo usada em movimentos sociais e moldada pela história desde os primórdios da humanidade. A moda não é fútil, mas talvez sua forma de olhá-la seja.

 
 
 

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